31 de out de 2010

Meu maior desafio mineiro....

Ontem eu acordei cedo, mesmo sem dormir a noite... tomei café no hotel, passei no banco e fui as compras... Um sofá lindo, mas fiquei só namorando, minha ajuda de custos ainda não caiu... comprei a mesa da cozinha e o fogão, um colchãozinho enquanto a cama não chega e fui para o apto, aguardar a entrega do Ponto Frio.... mas marquei no ponto... e fiquei no frio...
A casa vazia... só geladeira, o colchãozinho recém comprado, um fino endredon, uma garrafa de água e um pacote de biscoito de polvilho...
Restou-me tirar o atraso da noite e cochilar enquanto a TV e a lavadora não chegava...
Uma tempestade se formou... acordei com o barulho do vento uivando, forte... o quarto escuro... umas 14h00 mais ou menos...
Me deparei comigo mesma...
Fazia tempo que eu não refletia sobre minha realidade... me senti como uma personagem da Sandra Bullock... qualquer uma... mulher bonita, inteligente, divertida, bem sucedida e sozinha... sempre sozinha...
As pessoas não entendem certas reações minhas... não aceitam certas escolhas, porque sabem que tem com quem contar... e eu? Amigos, Graças a Deus, tenho aos montes!! Aqueles que a gente pode ligar a qualquer momento... mas tem horas que a gente quer mais que isso, que a gente precisa mais que isso... Familia? Tenho irmãos maravilhosos, dos quais eu sinto muito orgulho... mas o cordão umbilical já não existe mais... hoje são adultos, casados e tem suas familias, filhas lindas, trabalhos, casa para cuidar... e eu? Pergunto de novo...
Sinto falta dos meus pais... sinto falta da minha vida de casado... sinto falta de familia.. Familia no dia-a-dia... na rotina!!!
Depois de algumas horas de relexão quanto a solidão e nada dos móveis chegarem, fui jantar na casa da minha chefa... pertinho de casa!! Conversamos bastante... e no meio da conversa, enquanto falavamos da minha transição Juruti X Poços, soltei uma frase, quase sem querer, que me remeteu a minha experiência verspetina: sou sozinha no mundo, então minha familia são os amigos que faço nos lugares que moro...
Foi ai que percebi meu maior desafio em Poços: constituir uma nova familia!!!
Em Juruti, quando chegava alguém novo lá, a primeira coisa que a gente fazia era convidar a pessoa para sair, tomar uma cerveja, comer uma pizza, ir a alguma festa... nossa preocupação era enturmar a pessoa... aqui é diferente... não é só o clima que é frio... as pessoas também... mas não por mal.. simplesmente pela falta de necessidade... Eles estão em seu habitat natural, com suas familias, pais, maridos, esposas, namorados(as), amigos, não precisaram disso, então não percebem a necessidade de precisarmos...
E talvez por isso me sinto muito mais sozinha aqui do que em qualquer outro lugar que eu já tenha morado... vim pra cá sem amigos, sem irmãos, sem pais, sem marido... não tenho o que eles tem...
Pleno sabado a noite, eu em casa.. Carnalfenas rolando, e eu em casa... a cidade cheia de opçoes para sair, e eu em casa... Encarar essa realidade é estranho... mudar essa realidade vai ser dificil...
E mais uma noite sem dormir...

2 comentários:

  1. Oi meu bem... Li seu blog.. sempre passo por aqui para ver como a moçinha está.. Vim só deixar um recadinho.. TE AMO>. entra no meu blog.
    http://4livefreedrom.blogspot.com/2010/10/sensacional.html

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  2. Curiosa a comparação com Bullock. Acertada em quase todos os aspectos... Quase todos.
    Você vive!
    A Sandra também, mas não esta em nenhum de seus filmes. São personagens, tão somente. Fruto da ambiciosa indiscrição de seus roteiristas, e manipulados para construir alguma predisposição, ou estado emocional.
    Você é real.
    Vive um dilema real.
    Sofre um angustiante conflito presente, concreto e realíssimo.
    Quando nos inventamos, incutimos valores e características que nos distingam dos estereótipos á escolha do grupo familiar e mais tarde, do social. Tomamos emprestado aquilo que admiramos em pais e irmãos, e aplicamos um pouco do nosso próprio “molho”. E o fazemos não por falta de princípios, desejos, características, estilo ou originalidade. Mas por preservação, nosso mais vigoroso instinto, e condutor primário de todas as nossas decisões. Emprestando o “jeitão do papai”, ainda que temperado ao nosso gosto, não nos expomos a avaliações, críticas ou ataques.
    “– Você às vezes parece com seu pai!”
    Infelizmente fazemos o mesmo com as metas, indisposições, paradigmas e balizas éticas. E apesar disso... tudo vai bem.
    Até nos depararmos, numa dessas noites compridas e lentas, que chegam de repente, espantam o sono e não querem amanhecer de jeito nenhum. É quando olhamos pro lado e descobrimos que a cama esta vazia. Mesmo que aquele cara, bacana e interessante, esteja ali deitado sabe lá Deus por que. Não importa que ele se pareça muito com alguém que você acreditava conhecer e querer, quando disse o tal do “sim”. Ele nunca foi “ele”, e você sempre soube disso.
    Se o povo não tem pão, dêem-lhes brioches.
    Se não temos família, criamos uma... ou muitas. Ou tantas quantas forem as nossas noites vazias, apesar da variedade de corpos indiferentes que buscamos para abrigar a nossa solitária melancolia. Mesmo que esses corpos pertençam a um único e igualmente indiferente “companheiro”, a quem vamos dissecando noite após noite, buscando por aquele que nunca esteve ali.
    O principal perigo na vida é que você pode tomar precauções demais. (Alfred Adler)
    Buscamos uma imagem, linda, que não corresponde a nossa própria, mas que ira compor a nossa identidade.
    Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons. (Sigmund Freud)
    Resta-nos conviver com tais limitações, sobrepondo-as como um véu ou máscara, tendo o cuidado observar a mesma lógica que as determinou, para que não haja o desencontro entre os objetivos traçados e os resultados possíveis.
    Ou então, nos reinventamos! É isso mesmo.
    Não há como reconciliar nossa imagem com nossas primeiras impressões, desejos e projeções de futuro, pois já vivemos as fantasias que inventamos e já recolhemos parte de seus frutos. É como um espelho quebrado.
    Mas podemos buscar uma reconciliação com nossa própria identidade e consciência. Diz-se que "Felicidade é estar totalmente absorvido por uma coisa maravilhosa, que te complete." E é quando esta nos proporciona um tal arrebatamento, que a despeito dos riscos, nos completa, preenche, enriquece, entontece e sacia.
    E certo que todos nos vamos morrer, mas nem todos teremos verdadeiramente vivido. E se passamos nossa vida nos preparando para o momento de vivê-la, é óbvio que já a teremos perdido.
    Arrisque-se, erre, quebre a cara, cometa todas as loucuras que couberem em toda uma existência. Não há posteridade, destino, missão ou bom caminho, seja ele largo ou estreito.
    Nietzsche manifestava verdadeiro ódio pelos “bons amigos”. Dizia odiar quem lhe roubasse a solidão sem oferecer verdadeira companhia. Á solidão da noite pouco importa o quão preocupado e aflito esteja quem for, porém longe do alcance de nossa mão.
    E agora?
    Tudo novo, de novo!
    Busque sem preconceitos, sem eternidades, sem temores.
    Preserve os amigos em seus devidos lugares. Não os maquie nem os transmute.
    Bons amigos, melhores que sejam são só amigos.
    Bom, já falei de mais.
    Curta Poços. Dizem ser uma linda cidade... e ainda tem o tempero de um friozinho gostoso... Dá uma inveja...
    Beijos minha linda.

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